Biografias: histórias de pessoas extraordinárias que encantam os leitores
O mercado literário brasileiro vem crescendo a passos largos nos últimos dez anos e, de carona nessa expansão, também o mercado de biografias, já bastante consolidado em países como Estados Unidos. Nos últimos vinte anos, grandes jornalistas brasileiros vêm empregando toda sua experiência para contar as histórias de vida de personagens quem encantaram o País.
O mercado literário brasileiro vem crescendo a passos largos nos últimos dez anos e, de carona nessa expansão, também o mercado de biografias, já bastante consolidado em países como Estados Unidos. Nos últimos vinte anos, grandes jornalistas brasileiros vêm empregando toda sua experiência para contar as histórias de vida de personagens quem encantaram o País.
Um exemplo disso é a biografia do padre Cícero Romão Bastista o Padim Ciço, como é conhecido pelos seus milhões de fiéis no Ceará e em todo o Brasil. Escrita pelo jornalista Lira Neto e lançada em novembro de 2009 pela Companhia das Letras, Padre Cícero figura entre os dez livros mais vendidos na categoria não-ficção da Livraria Cultura. Em alguns momentos, chega a assumir o primeiro lugar em vendas. Lira Neto é o mesmo escritor de “Maysa”, biografia adaptada para as telas da TV pela Rede Globo.
Vale citar também a biografia O mago – escrita por Fernando Morais, que conta a história de um dos escritores mais conhecidos do Brasil e do mundo: Paulo Coelho. O livro aparece em primeiro lugar entre os mais vendidos na categoria literatura nacional do website de vendas Submarino.
Uma biografia que fez um sucesso estrondoso foi a de Carmen Miranda, “A pequena notável”, que em pouco tempo se esgotou completamente das livrarias na ocasião do seu lançamento e que, atualmente, ainda está esgotada em algumas lojas do país. Escrita por Ruy Castro, atualmente um dos mais relevantes escritores do gênero no Brasil, Carmen – Uma Biografia recebeu o prêmio Jabuti 2006 na categoria livro do ano não-ficção. “Nos Estados Unidos e na Europa biografias não são novidade. No Brasil, sim, é um mercado relativamente novo e que está crescendo”, diz Ruy Castro.
Há também algumas biografias polêmicas, como é o caso da obra não autorizada sobre a vida de Roberto Carlos, retirada de circulação porque “o Rei” entrou na justiça para impedir que os livros fossem vendidos. Isso levanta algumas questões interessantes: Até que ponto um escritor pode investigar e esmiuçar a vida de um artista para que seja “empacotada” e vendida aos seus fãs? Por outro lado, até que ponto a pessoa pública pode impedir que sua história seja levada ao público em geral - já que sua vida também faz parte da história recente da música brasileira? Afinal de contas, a história e a cultura de um país devem ser de conhecimento público.
Segundo Ruy Castro, uma biografia, para ser boa, tem de ser não autorizada, pois numa biografia autorizada é comum que o biografado minta para o jornalista e muitas vezes pede que seus amigos mintam também. “Todas as minhas biografias são não autorizadas. Biografia autorizada é coisa de picareta” ele diz. (Para ler a entrevista de Ruy Castro na íntegra clique aqui)
Além de Carmen Uma Biografia, Ruy Castro escreveu também Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha premiado com o Jabuti 1996 na categoria Ensaio e O Anjo Pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues, que foi sua primeira biografia. “Admiração pelo personagem e curiosidade sobre sua vida” diz Ruy Castro, é o que o motiva a escrever biografias.
Essa admiração e curiosidade sobre a vida dos personagens são possivelmente alguns dos motivos pelos quais as biografias tem tido grande aceitação entre os leitores, que são, como os próprios personagens, filhos desse Brasil cheio de heróis solitários como Garrincha, Nelson Rodrigues, Carmen Miranda, Paulo Coelho, Padre Cícero, Jorge Amado e tantos outros.
São histórias de personagens reais que fascinam tanto quanto a ficção e freqüentemente vão além, tocando profundamente o coração do leitor inspirando-o e ajudando-o a realizar seus próprios sonhos e a construir a sua biografia de acordo com seus desejos e objetivos.
Ao revelar detalhes intrigantes sobre vida do biografado, muitas vezes desconhecidos pela maioria das pessoas, até por familiares e amigos o autor humaniza o personagem aproximando-o do seu leitor uma vez que as histórias contadas tratam da – vida como ela é – do personagem, destacando não apenas o lado brilhante de sua personalidade com suas conquistas e realizações mas também seu lado menos atraente como seus fracassos, seus medos e seus vícios. Assim, os leitores têm, na biografia de seus “heróis”, exemplos de persistência, superação e vitória que inspiram e, não raro, provocam grandes mudanças em suas vidas.
Biografias Recomendadas
1) Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha – Ruy Castro
2) O Anjo Pornográfico – A vida de Nelson Rodrigues – Ruy Castro
3) Carmen – Uma biografia – Ruy Castro
4) O sonho brasileiro – Como Rolim A.Amaro criou a TAM – Thales Guaracy
5) O mago – a vida de Paulo Coelho – Fernando Moraes
6) Chatô Rei do Brasil – A vida de Assis Chateaubriand – Fernando Moraes
7) Padre Cícero – Poder Fé e Guerra no Sertão – Lira Neto
8) O inimigo do Rei – uma biografia de José de Alencar – Lira Neto
9) Olga – A vida de Olga Benário, judia entregue a Hitler – Fernando Moraes
10) Castello – A marcha para a ditadura – Lira Neto
ENTREVISTA COM RUY CASTRO:
OK, Rawlinson. Aqui vão:
1) Qual foi a sua primeira biografia e por que você a escreveu?
Foi "O anjo pornográfico -- A vida de Nelson Rodrigues". Porque tinha grande admiração pela obra de Nelson e muita curiosidade sobre sua vida.
2) O que atrai você para o gênero, ou o que motiva você a escrever biografias?
Exatamente isto: admiração pelo personagem e curiosidade sobre sua vida.
3) Qual a sua impressão quanto ao mercado de biografias, você acredita que o gênero tem se tornado mais popular nos últimos anos? É um gênero que está crescendo no Brazil e no mundo?
Nos Estados Unidos e na Europa, biografias não são novidade. No Brasil, sim, é um mercado relativamente novo e que está crescendo.
4) Do ponto de vista do autor: é mais fácil escrever biografia ou ficção?
No meu caso, ficção é muito mais fácil. Dispensa a apuração e só exige a imaginação.
5) O que você pensa sobre as biografias não autorizadas como a de Roberto Carlos por exemplo? Você escreveria uma biografia não autorizada?
Todas as minhas biografias são não autorizadas. Biografia autorizada é coisa de picareta.
6) É mais fácil biografar um vivo ou um falecido?
Morto, sem dúvida. O vivo atrapalha -- mente para o biógrafo e obriga os amigos a mentir.
7) Você faria uma autobiografia?
Dificilmente.
8) Qual será sua próxima biografia? Já está trabalhando num novo livro no momento?
Não tenho ninguém em vista no momento.
9) Como escritor de biografias imagino que você goste de ler outras biografias também. Que outra biografia você mais gostou ou recomendaria e por quê?
Gostei muito de "Noel -- Uma vida", por João Máximo e Carlos Didier, publicada em 1990.
10) O que você acha que toca mais as pessoas sentimentalmente. Biografias/Histórias baseadas em fatos reais ou ficção. Por quê?
Acho que, neste momento, as biografias emocionam mais.
Valeu?
Abraços,
Ruy
OK, Rawlinson. Aqui vão:
1) Qual foi a sua primeira biografia e por que você a escreveu?
Foi "O anjo pornográfico -- A vida de Nelson Rodrigues". Porque tinha grande admiração pela obra de Nelson e muita curiosidade sobre sua vida.
2) O que atrai você para o gênero, ou o que motiva você a escrever biografias?
Exatamente isto: admiração pelo personagem e curiosidade sobre sua vida.
3) Qual a sua impressão quanto ao mercado de biografias, você acredita que o gênero tem se tornado mais popular nos últimos anos? É um gênero que está crescendo no Brazil e no mundo?
Nos Estados Unidos e na Europa, biografias não são novidade. No Brasil, sim, é um mercado relativamente novo e que está crescendo.
4) Do ponto de vista do autor: é mais fácil escrever biografia ou ficção?
No meu caso, ficção é muito mais fácil. Dispensa a apuração e só exige a imaginação.
5) O que você pensa sobre as biografias não autorizadas como a de Roberto Carlos por exemplo? Você escreveria uma biografia não autorizada?
Todas as minhas biografias são não autorizadas. Biografia autorizada é coisa de picareta.
6) É mais fácil biografar um vivo ou um falecido?
Morto, sem dúvida. O vivo atrapalha -- mente para o biógrafo e obriga os amigos a mentir.
7) Você faria uma autobiografia?
Dificilmente.
8) Qual será sua próxima biografia? Já está trabalhando num novo livro no momento?
Não tenho ninguém em vista no momento.
9) Como escritor de biografias imagino que você goste de ler outras biografias também. Que outra biografia você mais gostou ou recomendaria e por quê?
Gostei muito de "Noel -- Uma vida", por João Máximo e Carlos Didier, publicada em 1990.
10) O que você acha que toca mais as pessoas sentimentalmente. Biografias/Histórias baseadas em fatos reais ou ficção. Por quê?
Acho que, neste momento, as biografias emocionam mais.
Valeu?
Abraços,
Ruy




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